quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Samantha in love
terça-feira, 27 de outubro de 2009
A Ferrari está chegando
Foi uma baita festa, um grande jogo de futebol onde o melhor venceu. Se não jogou o esperado, se perdeu chances, se isso, se aquilo não me interessa, continuo com o mesmo raciocínio do início do campeonato: o que vale são os três pontos. O resto, como diriam os BBBs, é coisa da edição.
E esses pontos são especiais, pois ganhar um Gre-Nal é como ganhar um campeonato. É da rivalidade, não adianta. A flauta é direta, a alegria é completa, enquanto um ganha o outro perde. E esse ano foram cinco vitórias coloradas em seis jogos disputados. É no clássico que alguns jogadores que andavam meio apagados voltam a brilhar, e alguns que eram tidos como imbatíveis falham.
Mas o melhor é o clima do torcedor. Ao meu lado, no Beira-Rio, estava um senhor que chorava antes de começar a partida. Era o nervosismo pré-clássico. Conversei um pouco com ele, que logo me apresentou seu filho, chamado Larry, em homenagem ao ídolo colorado Larry Pinto de Farias, que jogou no Internacional de 1954 a 1962, consagrando-se como grande goleador do Rolo Compressor e autor do primeiro gol no estádio Olímpico em vitória do Inter por 6 X 2 com 4 gols dele.
Para alguns pode parecer doença, mas isso é fanatismo, é torcida, é um sentimento indescritível. No fim do jogo procurei pelo torcedor novamente. Estava sentado, sozinho, enquanto a torcida ía deixando o Beira-Rio. Chorava novamente, dessa vez de emoção, e mormurava algumas palavras que não entendi, mas me pareceu que tentava cantar os hinos da torcida de forma completamente confusa. Dei um abraço nele, que me retribui com um beijo no rosto, acompanhado da frase: "Acho que vai dar!"
Sim, esse Gre-Nal se tornou mais especial ainda porque mostrou que o Inter está vivo na disputa do Brasileirão. Agora a coisa vai incendiar. E como bem definiu o técnico Mário Sérgio, o motor da Ferrari roncou. E quem está na frente, sente um tremor nas pernas quando vê o carro vermelho chegando pelo retrovisor.
Que venham os próximos. A torcida colorada espera ansiosamente por este presente de 100 anos.
Falei!
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Cada um com a sua versão
Essa semana, uma farmácia perto da minha casa incendiou. O caso ganhou grandes proporções porque o estabelecimento funciona numa movimentada avenida, que ficou, inclusive, bloqueada na hora do ocorrido. Foi um caos, pois parou várias avenidas no final da tarde, hora de grande movimento. A fumaça e o cheiro tomaram conta do bairro. A imprensa toda cobriu o incêndio. Centenas de pessoas se aglomeravam para ver a ação dos bombeiros. No dia seguinte, havia fotos nos jornais, informando que a farmácia havia pegado fogo e que a causa seria investigada. Jornalisticamente, tudo certo. Mas o povo não se contenta com tão pouco.
É aí que entram em cena as versões populares. Já ouvi três que conseguiram tornar o acidente uma comédia.
A primeira versão foi de um comerciante, vizinho da farmácia. Segundo ele – que fez questão de contar sua história numa riqueza de detalhes de dar inveja aos novelistas – o negócio não ía muito bem. Tratava-se de uma filial relativamente nova, com uma concorrência grande. Nesse caso, segundo o comerciante, os proprietários teriam forjado o incêndio para receber o dinheiro do seguro e investir na outra filial, que fica do outro lado da rua. Nas palavras dele, “como é que pode alguém soldar alguma coisa em cima do estoque de fraldas descartáveis? Só pode ser armação!”
Mas o raciocínio do comerciante não para por aí. Como tramita no Congresso Nacional um projeto para liberar os bingos, ele tem certeza que naquele mesmo prédio, em breve deverá funcionar uma casa de jogos de azar, que será bem mais lucrativa que a farmácia.
No mesmo dia, um pouco após o acidente, uma amiga minha pegou um táxi bem perto do local. A primeira pergunta que o motorista fez foi se ela ficou sabendo do incêndio. A partir daí ele passou a relatar os problemas elétricos que teriam causado o fogo na loja.
Passados dois dias do acidente, ouvi mais uma versão. Eu caminhava bem próximo à farmácia, quando percebi que duas senhoras caminhavam na minha frente falando sobre o caso. Não resisti e resolvi acompanhar a conversa. Segundo a senhora mais entendida no assunto, o negócio foi vingança de mulher traída. O adúltero seria o dono da farmácia.
Cada um com uma história. Cada um com uma versão.
Falei!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Brasília
Nos últimos dias não escrevi nada no blog. Não foi falta de vontade nem de assunto, mas de tempo. Estava em Brasília, cidade em que morei por cinco anos e onde vivem minha irmã, minha mãe e muitos dos meus melhores e mais especiais amigos. Durante os dias que estava lá, tratei de curtir a cidade, que alguns infelizmente classificam de forma caricata como sede da corrupção. Coitados. Esses não conhecem o que tem de melhor nessa cidade que entre tantas qualidades é a capital brasileira.
Se o traçado da cidade é do arquiteto, o céu também é, como bem descreveu o Djavan. Em qualquer lugar que se esteja em Brasília, se tem uma visão de 180º do céu, o que é incrível. É um lugar com muitos horizontes, de uma claridade absurda, de um entardecer colorido, de noites estreladas e com a lua sempre escandalosamente presente.
Se na vida andar no eixo não é tão fácil, em Brasília aprendemos pelo menos a andar “nos eixos”, seja no eixão, no eixinho, ou nos eixos L2, L4, W3... Aprendemos a utilizar confusas siglas de letras e números para definir endereços e depois descobrimos que isso é muito mais lógico que o usual. Temos amigos que moram “no lago” e não são peixes. Conhecemos pessoas que moram no Sudoeste, que não significa outra região, simplesmente o bairro que fica do outro lado do parque.
Os pais dos amigos viram “tios” e nos acostumamos a ir em festas de desconhecidos. Sim, quem mora em casa sempre faz festa e para chegar basta levar a bebida e ter um amigo, que conhece alguém que é amigo do dono da casa. É assim mesmo. E nessa festa, onde se conhece muita gente diferente, quando a bebida estiver deixando o sujeito meio tonto, pode procurar o lugar onde estão servindo os caldos. Toda festa tem caldo – seja de feijão, verde ou vaca atolada – para aliviar a bebedeira. Assim como todo mundo conhece alguém que tem uma chácara. É regra.
Mas o mais especial de Brasília é a possibilidade de se viver a diversidade do Brasil, que lá não é uma teoria, mas a realidade. Ali conhecemos pessoas do Rio, de São Paulo, da Bahia, do Acre, de Minas, de Goiás, do Paraná, do Maranhão e até gente de Brasília. E cada pessoa com seu sotaque, com seu jeito, com seus costumes, com suas história, construindo esse gigante quebra-cabeças que é Brasília.
É por isso que tenho um carinho tão especial por essa cidade e fico tão feliz cada vez que lá estou.
Falei!
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Comprou, reformou e mobiliou
Na segunda-feira, após assistir uma parte da entrevista da governadora Yeda Crusius, do PSDB, ao Roda Viva, escrevi no Twitter que senti vergonha de ser gaúcho. Até achei a palavra meio pesada, mas foi o desabafo do momento. Fiquei pensando nos tantos amigos que tenho pelo Brasil e que sempre falam no Rio Grande do Sul como um estado politizado. Imagina se estivessem assistindo àquele monte de absurdos, sem a menor cara de pau, debochando da inteligência dos telespectadores.Pois bem, mais notícias vêm à tona e eu me conveço que a palavra é vergonha mesmo. Eu tenho, mas pelo visto os nossos governantes nem sabem do que trata, nunca tiveram conhecimento.
Se não bastassem os fortes indícios de que a casa em que mora a governadora Yeda Crusius tenho sida comprada com recursos de campanha e forte ligação com a fraude no Detran, agora surgem novos fatos. Sim, fatos realmente novos, e não requentados, como classifica o governo e a mídia amiga. Uma nota fiscal de materiais de reforma e mobília de um dormitório, cujo comprador é o Governo do Estado, foi entregue na casa de Yeda. Sim, a mesma casa de sempre.
Não precisa pensar para chegar a uma resposta clara. Além de comprar uma casa, parece que reformaram e mobiliaram também. E eu e todo o povo gaúcho pagando essa conta.
É muita falta de vergonha mesmo! É uma bofetada na cara da população.
Falei!

