quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Barcelona


Barcelona é uma cidade louca e como foi bom curtir essa loucura nas minhas férias. Caminhar pela La Rambla logo na chegada é a melhor das recepções. Se não bastasse o charme natural do calçadão largo, coberto por árvores, ali se concentram as mais diversas manifestações culturais, seja na rua ou no imponente museu Liceu. Também é na La Rambla que está o Museu de Cera, o colorido e pulsante Mercado de San José e, lá no fim, está o Mar Mediterrâneo.

E foi nessas imediações, num bairro fortemente marcado pela imigração, que fiquei hospedado e vivi uma das mais mágicas experiências da minha vida. Fiz amigos da Inglaterra, da Guatemala, da Colômbia, dos Estados Unidos, da Alemanha, da Holanda, do Nepal, do Japão e até do Brasil. Sim, Barcelona - e em especial o Be Hostel - foi o lugar que proporcionou o maior e melhor intercâmbio dessa viagem.

A capital da Catalunha é predominantemente plana. Os poucos morros existentes ficam ao redor da cidade, o que permite uma visão panorâmica inesquecível. E é num desses morros que conheci um dos lugares mais encantadores do mundo. O Parc Güell é um parque todo feito com obras de arte de Gaudi. Cada ambiente é uma paisagem diferente neste ambiente absolutamente apaixonante, com Barcelona aos nossos pés. A energia daquele ambiente é única e inesquecível.

Como amante do futebol, vivi uma experiência que também ficará para sempre na memória. Tive a oportunidade de assistir ao vivo a um dos maiores clássicos de futebol do mundo: Barcelona X Real Madrid. O resultado de 5 X 0 para o time da casa foi só mais um ingrediente dessa mistura perfeita. Participar da festa da torcida do Barcelona diante de vários dos melhores jogadores do mundo é o saldo altamente positivo.

Pedalei muito em Barcelona, conheci praças, avenidas, arenas de touradas, mercados, a praia... ai, como foi bom encontrar o mar, mesmo no frio. Como diz o Nando Reis, "quando a gente fica em frente ao mar, a gente se sente melhor." Fui a loucas festas num acaso do destino. Cantei, dancei, me diverti, bebi, dancei no palco e fiz tudo que tinha direito. Foi em Barcelona que eu me joguei e vivi intensamente as férias que tanto esperei. 

Cada palavra que escrevo sobre Barcelona me deixa com saudades. Como foi incrível viver essa louca e caliente aventura. 

Falei!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Amsterdã


Amo viajar! Na minha opinião esse é um dos maiores prazeres da vida. Conhecer lugares, pessoas, culturas... isso enriquece muito. No entanto, não tenho o sonho de conhecer muitos lugares. Curto o inusitado, esteja ele em alguma cidadezinha da Serra Gaúcha, em alguma praia do litoral nordestino ou em algum ponto do mundo. Mas havia dois lugares no mundo que sempre sonhei em conhecer. Um deles conheci nessas férias: Amsterdã.

Toda vez que via alguma foto ou vídeo de lá, ficava encantado com aquele lugar tão peculiar. As pessoas que já conheciam me diziam que era impossível descrever em palavras. Se é...

Quando cheguei no aeroporto da cidade, veio a primeira surpresa: minha mochila não havia chegado, ou seja, eu estava com a roupa do corpo em Amsterdã. Fui registrar a ocorrência e veio o segundo choque: o idioma. O inglês que eles falam é diferente do que aprendemos nos cursos e estamos acostumados a ouvir em filmes. Depois acabamos pegando o trem errado e por pouco não fomos parar no norte da Holanda.

Passados esses contratempos, comecei a viver um conto de fadas. É incrível caminhar por aquelas ruas extremamente organizadas e ver um cartão postal em cada lado que se olha. Os prédios são lindos, as pessoas são lindas, as bicicletas são lindas, a paisagem nem se fala... tudo é perfeito!

Depois que a mochila chegou e eu me familiarizei com o idioma, tudo ficou ainda melhor. O coroamento foi a locação de bicicleta para pedalar muito por aquelas ruas nos dias de muito frio do outono europeu. O trânsito lá é feito para as bicicletas. Todo mundo tem uma, para desfilar sua elegância sobre rodas. Sim, todas as pessoas são elegantes, inclusive enquanto pedalam.

Se faltou o colorido da primavera, sobraram paisagens maravilhosas. Os dias são curtos, a maioria do tempo é escuro, mas Amsterdã está sempre pronta para te surpreender. Quando achávamos que todos os dias seriam cinzas, surgiu o sol. Daí tudo ficou mais lindo, e obviamente, mais iluminados.

A liberdade que se respira em Amsterdã não se restringe aos Coffee Shops. Esses estabelecimentos servem para provar o quanto eles são evoluídos e o quanto precisamos evoluir. Mas a liberdade de Amsterdã está nas ruas, nos canais, nas músicas que se ouve pelas ruas, nos parques, nas bicicletas, nas pessoas, na consciência.

Cada minuto que vivi em Amsterdã foi mágico. Esse é o resumo. Isso só me deixou com gostinho de quero mais e com uma certeza: em breve eu voltarei. Muitas vezes! Até porque I AMsterdam....

Falei!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Nada vai nos separar


Uma das frases cantadas pela torcida colorada diz “nada vai nos separar”. Eu poderia destacar muitas frases dos cantos da torcida ou do hino do meu time, mas essa tem um significado muito singular para mim.
 
Sou colorado desde sempre e para sempre. Nunca me imaginei torcendo para outro time senão para o Clube do Povo do Rio Grande do Sul. O vermelho é minha cor, minha paixão. Ser colorado faz parte da minha identidade.
 
Nasci numa família bem dividida entre colorados e gremistas. Mas essa divisão era só na minha família. Quando fui para a escola, me deparei com outra realidade. Vivíamos uma época – décadas de 80 e 90 – em que o clube rival ganhava tudo. Então era pop ser gremista. Quantos colegas de famílias inteiras de colorados se tornaram gremistas. Eles eram muitos. Nós éramos poucos, mas resistentes. Me lembro de cada um dos poucos colegas e amigos colorados e da festa quase solitária que fazíamos quando o Inter ganhava algum jogo ou o Gauchão. Quando ganhávamos um Gre-Nal, era o nosso dia de maior satisfação, pois o gostinho daquela meia dúzia ganhar do time de centenas era único.
 
Eu recordo dessa época para reafirmar meu coloradismo. Não escolhi meu time pelos títulos ou pelas vitórias, mas pela paixão e pela garra. Depois veio uma época em que passamos a ganhar tudo e tenho certeza que a quantidade de colorados em idade escolar cresceu muito. Ganhar é bom. Mas perder é da vida. E nós colorados sabemos perder como poucos.
 
Até hoje eu comemoro cada título – do Gauchão ao Mundial – como se fosse o primeiro. Esperei muito para ver cada um deles e me orgulho de viver uma era tão gloriosa. Entretanto, também sei perder, e como sei. Fiquei triste com a derrota do meu Inter para o africano Mazembe. Eu sonhei que repetiríamos as glórias de 2006 em 2010. Não deu. É sofrido, mas faz crescer, amadurecer. O sonho do BI mundial não acabou, só foi adiado. E essa derrota não abala em nada a minha paixão pelo meu time, afinal de contas, NADA VAI NOS SEPARAR. Jamais!
 
Falei!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Madri



Nessas férias tive a grata oportunidade de conhecer Madri, capital da Espanha. Quando eu estava planejando a viagem, conversei com vários amigos que já haviam feito um giro europeu antes. Como meu vôo do Brasil chegava e saía de Madri, ficar alguns dias na cidade era obrigação, mas todos me aconselharam a ficar pouco, pois diziam que a cidade não tinha muito o que fazer. Ou não me conhecem, ou definitivamente não conhecem Madri.

Não havia melhor porta de entrada na Europa. É uma cidade grande, iluminada, vibrante. As avenidas largas, os prédios antigos bem conservados e as centenas de monumentos espalhados por todo o canto enchem os olhos. Tudo é muito limpo e organizado. As pessoas são elegantes e se respira ares de liberdade, onde a diversidade é muito presente e todos convivem bem com ela.

Andei muito por Madri. Das lojas da Gran Via, ao burburinho da Montera. Das belezas da Puerta Del Sol, aos encantos da Plaza Mayor. Das peculiaridades da catedral, ao luxo do Palácio Real. Do inigualável Museo Del Prado ao agito da noite efervescente. Andei por tudo. Gostei de tudo.

Como foi bom viver Madri por alguns dias. Foram poucos, mas intensos. Voltei com gostinho de quero mais. Tenho certeza que eu e Madri ainda teremos muitos e intensos encontros.

Falei!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O dia que Caruaru parou



Trabalhar na cobertura dessa eleição presidencial está sendo uma das experiências mais emocionantes da minha vida. Em primeiro lugar porque estou exercendo plenamente a minha profissão de jornalista. Mas não é só isso. Como militante político desde que me entendo por gente, trabalho também com o coração, com a emoção, com a motivação de quem acredita no que defende. E o dia 26 de outubro de 2010 certamente significa um marco nessa trajetória.


Caruaru fica a 140km de Recife, no agreste pernambucano. Eu não conhecia nem a Capital, quem dirá o interior do estado natal do presidente Lula. Ao chegar na cidade, já me deparei com ruas, carros e pessoas ansiosas à espera da próxima presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Fui até o aeroporto, onde estava prevista a chegada da candidata. Ainda faltava duas horas, mas já havia centenas de pessoas debaixo de um sol típicamente nordestino. Era gente simples, comum que estava ali de forma militante. Conversei com alguns e percebi a emoção que os movia.


A hora de Dilma chegar ía se aproximando e mais pessoas chegavam. Repentistas, sanfoneiros e dançarinos de frevo tipicamente vestidos faziam um verdadeiro show em frente ao aeroporto. Os animadores do carro de som agitavam o povo, que à essa altura já era de milhares.


Dilma chegou. Foi cercada por parlamentares, lideranças, artistas, jornalistas, povo... Ela teve dificuldade para andar cerca de três metros que separavam a porta do terminal do carro aberto que a conduziria pela cidade. Quando ela subiu, nós da equipe e da imprensa imediatamente subimos no caminhão da frente. Era um caminhão mesmo, aberto, com umas 40 pessoas se equilibrando no meio de câmeras, máquinas fotográficas e notebooks. Dali saiu a carreata que percorreu 12km da cidade em duas horas. Eu nunca havia visto nada igual!


Pessoas corriam ao lado do carro. Pessoas - e muitas delas - saíam das suas casas emocionadas para acenar para a candidata. Era gente pendurada no alto dos prédios, em obras, barrancos, em cima de árvores, nas portas e janelas das casas, no comércio, dentro de carros e ônibus acenando com emoção. A leitura labial me permitiu entender o que uma senhora muito humilde falou na porta da sua casa: "obrigada meu Deus! É Dilma passando em frente à minha casa."


Pode parecer um pouco exagerado, mas não é. É pouco. É indescritível. Perguntei a uma jornalista que estava ao meu lado no caminhão - um apoiado no outro para se equilibrar aos solavancos das ruas - se era sempre assim. Ela respondeu que não, que aquilo era uma manifestação inédita. É que na verdade o ineditismo está na forma como o nordeste brasileiro passou a ser tratado pelo presidente retirante nordestino. Eu, que sou um sulista, cresci ouvindo que o nordeste era a periferia do Brasil, dominado pela pobreza e por coronéis políticos. Era. O governo do presidente Lula mudou a realidade daquela região, levando não só políticas transformadoras, mas acima de tudo a dignidade para a população. E como é bom ver a gratidão que eles têm. Ali não havia espaço para os ataques e para a baixaria da campanha eleitoral. Só havia espaço para a gratidão e a esperança, sentimentos voluntários que só se manifestam no coração de pessoas muito sábias.


A carreata chegou ao centro da cidade. A cena me lembrou o carnaval de rua de Salvador, quando as lojas param, não passam carros nas ruas - só trios elétricos - e milhões de pessoas tomas as ruas, calçadas e o espaço que conseguirem. Em Caruaru não eram milhões, mas milhares. Ficou impossível do carro em que Dilma estava andar no meio daquele verdadeiro mar de gente. Ela pegou o microfone e disse emocionada: "o coração do Brasil hoje bate em Caruaru!" Batia mesmo, não tinha como não sentir aquela pulsação vibrante.


Saí de Caruaru emocionado e cheio de certeza de quem governará o Brasil a partir de 1º de janeiro do ano que vem. Mas além disso, saí de Caruaru com a certeza que vivi um dos dias mais especiais desses meus 27 anos de vida, o dia que Caruaru parou.


Viva o povo brasileiro!


Falei!