Nessas férias tive a grata oportunidade de conhecer Madri, capital da Espanha. Quando eu estava planejando a viagem, conversei com vários amigos que já haviam feito um giro europeu antes. Como meu vôo do Brasil chegava e saía de Madri, ficar alguns dias na cidade era obrigação, mas todos me aconselharam a ficar pouco, pois diziam que a cidade não tinha muito o que fazer. Ou não me conhecem, ou definitivamente não conhecem Madri.
Não havia melhor porta de entrada na Europa. É uma cidade grande, iluminada, vibrante. As avenidas largas, os prédios antigos bem conservados e as centenas de monumentos espalhados por todo o canto enchem os olhos. Tudo é muito limpo e organizado. As pessoas são elegantes e se respira ares de liberdade, onde a diversidade é muito presente e todos convivem bem com ela.
Andei muito por Madri. Das lojas da Gran Via, ao burburinho da Montera. Das belezas da Puerta Del Sol, aos encantos da Plaza Mayor. Das peculiaridades da catedral, ao luxo do Palácio Real. Do inigualável Museo Del Prado ao agito da noite efervescente. Andei por tudo. Gostei de tudo.
Como foi bom viver Madri por alguns dias. Foram poucos, mas intensos. Voltei com gostinho de quero mais. Tenho certeza que eu e Madri ainda teremos muitos e intensos encontros.
Trabalhar na cobertura dessa eleição presidencial está sendo uma das experiências mais emocionantes da minha vida. Em primeiro lugar porque estou exercendo plenamente a minha profissão de jornalista. Mas não é só isso. Como militante político desde que me entendo por gente, trabalho também com o coração, com a emoção, com a motivação de quem acredita no que defende. E o dia 26 de outubro de 2010 certamente significa um marco nessa trajetória.
Caruaru fica a 140km de Recife, no agreste pernambucano. Eu não conhecia nem a Capital, quem dirá o interior do estado natal do presidente Lula. Ao chegar na cidade, já me deparei com ruas, carros e pessoas ansiosas à espera da próxima presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Fui até o aeroporto, onde estava prevista a chegada da candidata. Ainda faltava duas horas, mas já havia centenas de pessoas debaixo de um sol típicamente nordestino. Era gente simples, comum que estava ali de forma militante. Conversei com alguns e percebi a emoção que os movia.
A hora de Dilma chegar ía se aproximando e mais pessoas chegavam. Repentistas, sanfoneiros e dançarinos de frevo tipicamente vestidos faziam um verdadeiro show em frente ao aeroporto. Os animadores do carro de som agitavam o povo, que à essa altura já era de milhares.
Dilma chegou. Foi cercada por parlamentares, lideranças, artistas, jornalistas, povo... Ela teve dificuldade para andar cerca de três metros que separavam a porta do terminal do carro aberto que a conduziria pela cidade. Quando ela subiu, nós da equipe e da imprensa imediatamente subimos no caminhão da frente. Era um caminhão mesmo, aberto, com umas 40 pessoas se equilibrando no meio de câmeras, máquinas fotográficas e notebooks. Dali saiu a carreata que percorreu 12km da cidade em duas horas. Eu nunca havia visto nada igual!
Pessoas corriam ao lado do carro. Pessoas - e muitas delas - saíam das suas casas emocionadas para acenar para a candidata. Era gente pendurada no alto dos prédios, em obras, barrancos, em cima de árvores, nas portas e janelas das casas, no comércio, dentro de carros e ônibus acenando com emoção. A leitura labial me permitiu entender o que uma senhora muito humilde falou na porta da sua casa: "obrigada meu Deus! É Dilma passando em frente à minha casa."
Pode parecer um pouco exagerado, mas não é. É pouco. É indescritível. Perguntei a uma jornalista que estava ao meu lado no caminhão - um apoiado no outro para se equilibrar aos solavancos das ruas - se era sempre assim. Ela respondeu que não, que aquilo era uma manifestação inédita. É que na verdade o ineditismo está na forma como o nordeste brasileiro passou a ser tratado pelo presidente retirante nordestino. Eu, que sou um sulista, cresci ouvindo que o nordeste era a periferia do Brasil, dominado pela pobreza e por coronéis políticos. Era. O governo do presidente Lula mudou a realidade daquela região, levando não só políticas transformadoras, mas acima de tudo a dignidade para a população. E como é bom ver a gratidão que eles têm. Ali não havia espaço para os ataques e para a baixaria da campanha eleitoral. Só havia espaço para a gratidão e a esperança, sentimentos voluntários que só se manifestam no coração de pessoas muito sábias.
A carreata chegou ao centro da cidade. A cena me lembrou o carnaval de rua de Salvador, quando as lojas param, não passam carros nas ruas - só trios elétricos - e milhões de pessoas tomas as ruas, calçadas e o espaço que conseguirem. Em Caruaru não eram milhões, mas milhares. Ficou impossível do carro em que Dilma estava andar no meio daquele verdadeiro mar de gente. Ela pegou o microfone e disse emocionada: "o coração do Brasil hoje bate em Caruaru!" Batia mesmo, não tinha como não sentir aquela pulsação vibrante.
Saí de Caruaru emocionado e cheio de certeza de quem governará o Brasil a partir de 1º de janeiro do ano que vem. Mas além disso, saí de Caruaru com a certeza que vivi um dos dias mais especiais desses meus 27 anos de vida, o dia que Caruaru parou.
Trabalho há muitos anos com uma pessoa com quem tenho não somente uma relação profissional, mas um carinho muito especial. Jamais assessoraria alguém com ideias e condutas com as quais não concordo. A minha amizade e intimidade com a deputada Maria do Rosário só faz aumentar meu respeito e admiração por essa guerreira, que coloca sempre o interesse coletivo acima de qualquer coisa. É preciso ter muita coragem para defender algumas causas nem sempre simpáticas à opinião pública, mas é necessário que alguém as faça, e a Rosário faz! Quando se fala equivocadamente que defender direitos humanos é defender bandido, ela assume a defesa dos direitos de todas as pessoas. Quando se fala que criança não vota, ela enfrenta criminosos para defender esses cidadãos que realmente não têm direito a voto, mas têm o direito a ter direitos, e merecem respeito. É uma pessoa que não se pauta pelo oportunismo eleitoral, mas pelas necessidades humanas.
É por isso que causa tanta indignação uma decisão descabida como a que foi tomada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul ontem. Tentar proibir uma pessoa honesta de se candidatar por conta de uma interpretação equivocada da legislação é uma afronta à democracia. E a decisão vem do mesmo TRE que liberou toda a máfia do Detran para se candidatar, que acha justo deputados fazerem a política do toma-lá-dá-cá através de albergues, explorando o drama humano da saúde para ganhar votos. Essa decisão é tão descabida que se compara a qualquer um de nós dever 40 reais para a Renner e ser condenado a 30 anos de cadeia. Pior, por uma dívida que não é sua, que é reconhecida por uma instituição e que a está pagando.
Mas não há de ser nada. Fomos formados na adversidade e ela nos fortalece. Temos a absoluta certeza que o Tribunal Superior Eleitoral reverterá esse absurdo e garantirá a verdade, mostrando quem está com a razão. E esse episódio só fortalece a convicção de que o nosso trabalho é necessário e não pode parar. Vamos reforçar as energias para a campanha e reeleger Maria do Rosário deputada com uma grande votação. Essa é a melhor resposta que as pessoas de bem desse estado darão, fazendo a verdadeira e esperada justiça.
A luta continua!
Falei!
NOTA PÚBLICA - A campanha continua!
Diante da decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em rejeitar as contas da Frente Popular da campanha de 2008 à prefeitura de Porto Alegre e em não homologar minha candidatura à deputada federal, venho a público manifestar:
1. Minha profunda indignação frente às decisões absolutamente injustas e que tolhem o direito de me candidatar e, assim, colocar a prova o meu trabalho frente à população gaúcha.
2. Informo que estou imediatamente recorrendo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde tenho plena confiança de que as decisões aqui tomadas serão revertidas.
3. A decisão de não homologar minha candidatura em decorrências da campanha de 2008 contraria o princípio da Lei 12.034/2009, que determina a aprovação das contas quando elas forem apresentadas regularmente. Não só apresentamos regularmente as contas, como reconhecemos a existência de dívidas que, assumidas pelo Partido dos Trabalhadores, estão sendo pagas ainda hoje. Irregular seria se não as reconhecêssemos formalmente e jogássemos tais débitos na informalidade. Por fazer o certo, por atender à Lei, estou sendo punida.
4. A decisão do TRE gaúcho contraria as decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais do resto do país que, em sua totalidade, estão concedendo o direito de concorrer a candidatos ou candidatas em situação semelhante à minha.
5. Para qualquer parlamentar a pena máxima, capital, é o impedimento de disputar eleições. Traçando um paralelo, a punição contida na decisão do TRE do Rio Grande do Sul é tão desproporcional que se compara a hipótese de um cidadão que deve a algum comércio ser punido com 30 anos de cadeia.
6. Assistimos usualmente no país decisões de absolvição daqueles que abusaram do poder econômico em eleições. Mais que isso, o mesmo TRE gaúcho acaba de liberar por unanimidade para disputar as eleições os deputados que mantinham albergues. Eu, que representei uma campanha modesta, estou sendo punida de forma injusta, afinal as dívidas não são minhas, mas do partido, que as assumiu e negocia sua quitação.
7. Na certeza de contar com a reparação do TSE, informo que darei continuidade à minha campanha eleitoral. A democracia em nosso país foi duramente conquistada. Trabalho de forma séria e responsável em defesa daquilo que é justo e digno. É por isso que seguirei dialogando de forma muito honesta com a população gaúcha, prestando contas sobre a nossa atuação e apresentando minhas propostas para um novo mandato.
8. Nunca fiz política como forma de promoção pessoal. Ao contrário, minha atuação sempre se pautou por uma relação direta com as pessoas, dialogando e interagindo para construir conquistas coletivas. Esse trabalho encontra respaldo popular. É isso que me fortalece e me faz confiar na justiça para seguir em frente.
Tenho passado muito pouco por aqui. A correria que anda a minha vida e a chegada do twitter me fizeram deixar o blog um pouco de lado. Na verdade o twitter combina muito com o meu ritmo: objetivo e instantâneo. Mas nem por isso deixo de escrever algo que valha a pena no blog. Acho que deixei a quantidade de lado e optei pela qualidade. Certos assuntos merecem muito mais que 140 caracteres. O dia da avó, por exemplo.
É impossível falar da minha vida sem citar minhas duas avós. Elas são pessoas fundamentais em tudo. Sou o neto mais velho nos dois lados. Podem dizer que sou o mais mimado – e acho que sou mesmo o netinho da vovó – mas acredito que isso nunca foi algo ruim. Ao contrário, elas sempre estiveram ao meu lado me apoiando, mostrando o caminho correto.
Dizem que vó é a mãe com açúcar. As minhas são com açúcar, mel e adoçante. Elas não só ajudaram na minha criação, mas sempre deram uma amenizada toda vez que a minha mãe tentava ser um pouco mais rígida. Se a mãe botava de castigo, a vó tirava. Quando eu aprontava muito e a mãe queria me bater, a vó não deixava. Se eu estava com fome, lá vinha a vó com a comida que mais gosto. Quando estava doente, elas estavam de prontidão para levar no médico e controlar o horário dos remédios. Injeção eu só tomava com a mãe e a vó juntas, cada uma segurando em uma mão. Mesmo assim chorava muito. Imagina se elas não tivessem ali...
Só que nem tudo são flores. Quando eu pensava em não ir para a escola, pode ter certeza que tinha uma vó com a mochila prontinha para me levar. Quando eu não voltava na hora combinada, elas iam atrás de mim (sim, sou da época que não existia telefones celulares). Por isso que tenho certeza que esse mimo todo não me prejudicou. Ao contrário, me ensinou o valor do diálogo, a importância de ser responsável e de falar a verdade.
É por isso e por tantas outras coisas que num dia especial como esse eu não poderia deixar de registrar o meu amor e o meu carinho com essas duas pessoas tão especiais e fundamentais para a minha existência. Que felicidade ter a Dona Cecília e a Dona Rute na minha vida!
Estou a poucas horas de entrar na minha versão 2.7. Isso quer dizer que a era 26 está chegando ao fim. É uma fase da vida em que a troca de um ano para o outro não significa muita diferença, a não ser a proximidade dos 30 e aumento de fios brancos que surgem no meio dos cabelos castanhos. Mas resolvi fazer um breve balanço dos meus 26, do que vivi no último ano. Valeu a pena!
Com 26 eu trabalhei, aproveitei, batalhei, me estressei, viajei, me apaixonei, briguei,perdoei, mergulhei, dancei, me decepcionei, disputei, gritei, cantei, chorei, ganhei, pensei, sonhei... tantos “eis”... estive no Rio, em São Paulo, na Bahia, em Florianópolis e Brasília. Vivi o mais quente e o mais frio da minha Porto Alegre. Viajei muito pelo Estado e estive até no Uruguai.
Descobri o tal twitter e o hobbie de escrever virou vício. Agora eu escrevo o que tenho vontade a qualquer momento, dentro do limite dos 140 caracteres. Fui feliz, acima de tudo. Isso porque tudo que vivi foi intensamente. Tenho essa mania de não suportar o meio termo. Comigo ou é muito, ou não é.
Mas os 26 chegam ao fim e lá vem os 27. Muito engraçado, mas desde pequeno sempre gostei desse número. A numerologia deve ter uma explicação que eu nunca busquei saber, mas o 27 sempre foi um número especial para mim. Enquanto a maioria gostava do 6, do 8 ou do 10, eu gostava do 27. Sempre fui assim. Quando a maioria ao meu redor queria brincar, eu queria fazer política. Quando a maioria ao meu redor era azul, eu decidi ser vermelho. Quando a maioria era par, eu era ímpar.
Sempre fui um pouco diferente, mas sempre eu mesmo. E sempre gostei do 27. Portanto, que venha os 27 e que traga boas surpresas!