segunda-feira, 26 de julho de 2010

Netinho das vovós, com muito orgulho!


Tenho passado muito pouco por aqui. A correria que anda a minha vida e a chegada do twitter me fizeram deixar o blog um pouco de lado. Na verdade o twitter combina muito com o meu ritmo: objetivo e instantâneo. Mas nem por isso deixo de escrever algo que valha a pena no blog. Acho que deixei a quantidade de lado e optei pela qualidade. Certos assuntos merecem muito mais que 140 caracteres. O dia da avó, por exemplo.

É impossível falar da minha vida sem citar minhas duas avós. Elas são pessoas fundamentais em tudo. Sou o neto mais velho nos dois lados. Podem dizer que sou o mais mimado – e acho que sou mesmo o netinho da vovó – mas acredito que isso nunca foi algo ruim. Ao contrário, elas sempre estiveram ao meu lado me apoiando, mostrando o caminho correto.

Dizem que vó é a mãe com açúcar. As minhas são com açúcar, mel e adoçante. Elas não só ajudaram na minha criação, mas sempre deram uma amenizada toda vez que a minha mãe tentava ser um pouco mais rígida. Se a mãe botava de castigo, a vó tirava. Quando eu aprontava muito e a mãe queria me bater, a vó não deixava. Se eu estava com fome, lá vinha a vó com a comida que mais gosto. Quando estava doente, elas estavam de prontidão para levar no médico e controlar o horário dos remédios. Injeção eu só tomava com a mãe e a vó juntas, cada uma segurando em uma mão. Mesmo assim chorava muito. Imagina se elas não tivessem ali...

Só que nem tudo são flores. Quando eu pensava em não ir para a escola, pode ter certeza que tinha uma vó com a mochila prontinha para me levar. Quando eu não voltava na hora combinada, elas iam atrás de mim (sim, sou da época que não existia telefones celulares). Por isso que tenho certeza que esse mimo todo não me prejudicou. Ao contrário, me ensinou o valor do diálogo, a importância de ser responsável e de falar a verdade.

É por isso e por tantas outras coisas que num dia especial como esse eu não poderia deixar de registrar o meu amor e o meu carinho com essas duas pessoas tão especiais e fundamentais para a minha existência. Que felicidade ter a Dona Cecília e a Dona Rute na minha vida!

Falei!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Balanço dos 26


Estou a poucas horas de entrar na minha versão 2.7. Isso quer dizer que a era 26 está chegando ao fim. É uma fase da vida em que a troca de um ano para o outro não significa muita diferença, a não ser a proximidade dos 30 e aumento de fios brancos que surgem no meio dos cabelos castanhos. Mas resolvi fazer um breve balanço dos meus 26, do que vivi no último ano. Valeu a pena!

Com 26 eu trabalhei, aproveitei, batalhei, me estressei, viajei, me apaixonei, briguei,perdoei, mergulhei, dancei, me decepcionei, disputei, gritei, cantei, chorei, ganhei, pensei, sonhei... tantos “eis”... estive no Rio, em São Paulo, na Bahia, em Florianópolis e Brasília. Vivi o mais quente e o mais frio da minha Porto Alegre. Viajei muito pelo Estado e estive até no Uruguai.

Descobri o tal twitter e o hobbie de escrever virou vício. Agora eu escrevo o que tenho vontade a qualquer momento, dentro do limite dos 140 caracteres.  Fui feliz, acima de tudo. Isso porque tudo que vivi foi intensamente. Tenho essa mania de não suportar o meio termo. Comigo ou é muito, ou não é.

Mas os 26 chegam ao fim e lá vem os 27. Muito engraçado, mas desde pequeno sempre gostei desse número. A numerologia deve ter uma explicação que eu nunca busquei saber, mas o 27 sempre foi um número especial para mim. Enquanto a maioria gostava do 6, do 8 ou do 10, eu gostava do 27. Sempre fui assim. Quando a maioria ao meu redor queria brincar, eu queria fazer política. Quando a maioria ao meu redor era azul, eu decidi ser vermelho. Quando a maioria era par, eu era ímpar.

Sempre fui um pouco diferente, mas sempre eu mesmo. E sempre gostei do 27. Portanto, que venha os 27 e que traga boas surpresas!

Falei!


domingo, 6 de junho de 2010

A cultura em Porto Alegre tem dono


A cidade de Porto Alegre já foi conhecida em todo o mundo por diversas qualidades. Éramos a Capital da participação popular e do Fórum Social Mundial. Éramos! Hoje somos uma cidade com trânsito caótico, ruas escuras, sujas, índices altíssimos de violência, praças e parques tomados pelo mato.  Sim, nos tornamos a Capital do abandono.

Mas uma outra grande qualidade que essa saudosa Porto Alegre tinha era a vida cultural. Éramos a Capital da descentralização da cultura, do Porto Alegre em Cena, de espaços culturais valorizados e pertencentes à comunidade. Isso também mudou.

Hoje, qualquer grande show, peça ou evento cultural realizado na cidade, com raríssimas exceções, é produzido por uma mesma empresa. Os ingressos são sempre caríssimos, mesmo que as atrações sejam trazidas para cá graças à Lei de Incentivo à Cultura. Para resumir e deixar claro para todos, nós pagamos impostos, que são distribuídos por áreas do governo e uma parte vai inclusive para a cultura. Esse percentual serve, entre outras coisas, para financiar peças e shows, que chegam a Porto Alegre com valores mínimos de R$ 80,00 por pessoa e casa cheia.

O que intriga também é que os espaços da cultura em Porto Alegre foram diminuindo gradativamente. Um dos poucos lugares que abrigam manifestações gratuitas, portanto abertas ao público, é o recém inaugurado Espaço Vonpar, do Multipalco do Teatro São Pedro, que chega a ter dois shows na mesma noite, tamanha é a procura e a escassez de espaços.  O auditório Araujo Viana, um símbolo da cidade, está fechado, abandonado e em ruínas há cinco anos. A solução encontrada pela Prefeitura foi a privatização. A empresa vencedora da licitação foi a única inscrita: a Opus Promoções, a mesma que monopoliza as peças e shows realizados na cidade. Detalhe é que isso já faz dois anos e até agora nenhum prego foi colocado ali. A Prefeitura e a imprensa fazem de conta que não estão vendo. Nada de cobranças, afinal vivemos tempos de pacificação política, sem aquela raiva e aquela veemência de tratar tudo como se fosse uma disputa Gre-Nal...

Mas eu quero dividir com o amigo leitor o seguinte raciocínio: qual o interesse da Opus em reformar o espaço público da cultura de Porto Alegre se estão lucrando milhares e milhares de reais em cada show ou peça trazida a Porto Alegre? Nenhum. O compromisso da Opus não é com a cultura ou com o interesse público, mas sim com o lucro. É muito mais interessante para essa empresa lotar o Teatro do Bourbon Country com ingressos na média de R$ 150,00 do que lotar o auditório público (será que ainda pode ser chamado assim?) no meio do Parque da Redenção.

Só que precisamos ir um pouquinho além. A Opus só se tornou a dona da cultura porto-alegrense porque o poder público assim permitiu. Gostaria de saber qual a explicação que a dupla Sergius Gonzaga e Ana Fagundes, gestores da cultura de Porto Alegre, têm a dar sobre isso. Mas gostaria que eles o fizessem enquanto Secretaria Municipal de Cultura, não enquanto Opus Promoções. Não sei se é possível fazer essa divisão, mas seria adequado separar o público do privado pelo menos no momento de explicar porque a cultura pública de Porto Alegre está morrendo.

Cultura não é um bem só dos ricos, é de todos!

Falei!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Tamo junto Dunga!


Quando o Dunga foi escolhido técnico da Seleção, logo após aquele fiasco de 2006, tive todas as dúvidas se daria certo. Mas como torcer pela Seleção não é, ou pelo menos não deveria ser, uma questão ideológica, mas sim de patriotismo, continuei torcendo pelo Brasil e, logo, pelo Dunga.  Não adianta, independente de quem for o técnico, vamos torcer pela Seleção. Essa é uma regra no país do futebol.

Só que o Dunga foi mudando a minha opinião, subindo no meu conceito. Pela primeira vez na história desse país a roupa de um técnico da Seleção virou tema de debate nacional... e ele foi segurando no peito a pressão desse emprego com 190 milhões de chefes, muitos implacáveis na rigidez. E a resposta deles veio com vitórias. Pronto! Me ganhou.

Chega a tal convocação para a Copa, aparecem milhares de suposições e o técnico faz seu anúncio. Foi dada a largada para o festival de palpites, acusações e ofensas. Os jornalistas esportivos chegam ao cúmulo de transformar uma entrevista coletiva em sabatina, tentando apertar o técnico para saber por que não convocou esse ou aquele que eles preferiam.  Só faltou fazer o que fizeram com o Felipão, que quase foi agredido na rua porque não convocou o Romário, lembram? 

Ele respondeu com um título. É claro que não depende só do técnico, mas nesse emprego meu amigo, ninguém pensa em errar. Quem quer que seja, eu vou torcer junto, tentar entender as escolhas e apoiar. Se é um cara de personalidade e coragem que nem o Dunga, e era o caso do Felipão também, acho que essa pressão só faz aumentar a empolgação e vontade de acertar.

Juro que não é bairrismo, mas estou confiante. Pelo Dunga. Pelo título. Pela Seleção.

Falei!

domingo, 9 de maio de 2010

Homenagem à minha mãe


Sou um aficionado por seriados. Gosto muito mesmo e se não me cuidar fico o dia todo trancado em casa assistindo episódios em sequência. Um dos meus favoritos é o Brothers and Sisters, que relata a história de uma família de cinco filhos, cada um de um jeito, cada um com sua história. O principal elo que os une e lidera o clã Walker é a figura da mãe, Nora, brilhantemente interpretada por Sally Fields. É essa viúva de aparência meio frágil mas de personalidade absolutamente forte quem administra e mantém viva a chama de família.

Na verdade, a personagem de Nora Walker só retrata a figura mais sensacional que existe no mundo que é a mãe. Trata-se de pessoa que gera a vida, que tem a divina missão de ceder o seu corpo para o desenvolvimento dos filhos e depois, na maioria das vezes, dar a vida por esses. Conheço grandes exemplos de mães na vida real, mas quero pedir licença para homenagear a minha.

Desde muito cedo – desde sempre, eu diria – coube à minha mãe a responsabilidade de administrar sozinha uma família. Durante sete anos fomos somente eu e ela. Depois veio a Duda. É claro que durante alguns anos, ela foi casada, mas mesmo quando tinha o marido em casa, ela sempre foi a chefe de família. Por isso mesmo sempre trabalhou muito, às vezes em dois, três empregos. Isso fazia com que ela ficasse muitas horas fora de casa. No entanto, jamais vou esquecer do barulho do seu salto chegando em casa. Eu reconhecia de longe que era ela e é impressionante o quanto isso me trazia segurança. Ela podia estar cansada, mal humorada ou simplesmente sem querer muito assunto, mas o fato de ter ela por perto era muito confortante.

Não há um momento exato na vida que eu possa descrever como o mais marcante da minha relação com a minha mãe, mas com certeza sei o mais difícil, que foi quando senti que havia possibilidade real de perdê-la. Foi um episódio muito difícil, em que pela primeira vez vi aquela fortaleza fragilizada. Tive que ser chamado à responsabilidade de liderar interinamente a família, em outra cidade, com uma irmã adolescente e minha mãe com câncer. Felizmente vencemos aquela etapa que com certeza nos deu um outro sentido para a palavra família.

Mas é assim, de momentos bons e ruins que se constituem as histórias de vida. Eu tenho orgulho da minha, em especial por ter sido liderada por uma mulher tão forte e determinada quanto a minha mãe. Ela é a protagonista da nossa história, elo que nos une e sem o qual nada seria possível.

Que bom ter uma mãe! Que bom ter a minha mãe!

Falei!