quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Comprou, reformou e mobiliou

Na segunda-feira, após assistir uma parte da entrevista da governadora Yeda Crusius, do PSDB, ao Roda Viva, escrevi no Twitter que senti vergonha de ser gaúcho. Até achei a palavra meio pesada, mas foi o desabafo do momento. Fiquei pensando nos tantos amigos que tenho pelo Brasil e que sempre falam no Rio Grande do Sul como um estado politizado. Imagina se estivessem assistindo àquele monte de absurdos, sem a menor cara de pau, debochando da inteligência dos telespectadores.

Pois bem, mais notícias vêm à tona e eu me conveço que a palavra é vergonha mesmo. Eu tenho, mas pelo visto os nossos governantes nem sabem do que trata, nunca tiveram conhecimento.

Se não bastassem os fortes indícios de que a casa em que mora a governadora Yeda Crusius tenho sida comprada com recursos de campanha e forte ligação com a fraude no Detran, agora surgem novos fatos. Sim, fatos realmente novos, e não requentados, como classifica o governo e a mídia amiga. Uma nota fiscal de materiais de reforma e mobília de um dormitório, cujo comprador é o Governo do Estado, foi entregue na casa de Yeda. Sim, a mesma casa de sempre.

Não precisa pensar para chegar a uma resposta clara. Além de comprar uma casa, parece que reformaram e mobiliaram também. E eu e todo o povo gaúcho pagando essa conta.

É muita falta de vergonha mesmo! É uma bofetada na cara da população.

Falei!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Antes tarde do que nunca

Não tenho absolutamente nada contra o Tite. Nada mesmo. Mas nesses 14 meses que ele esteve no comando do Internacional, nunca me senti empolgado. Repito, nada pessoal, mas começa pelo fato dele ser gremista.

Isso não é radicalismo, é fato. A relações no Rio Grande do Sul são absolutamente polarizadas. No futebol, é extremo. É por isso que o Celso Roth nunca deu certo no Grêmio e o Tite jamais daria no Inter. É a mesma coisa que o Fernandão jogar no Grêmio ou o Ronaldinho Gaúcho no Inter. Não rola.

Mas não é só isso. Tem uma questão de perfil. Esse estilo muito calmo do Tite podem fazer dele uma execelente pessoa e um grande palestrante, mas não um técnico capaz de comandar uma equipe de personalidades tão fortes. Faltava o comando, a liderança.

Uma coisa sempre me chamou a atenção nos jogos do Inter: quando o Tite fazia uma substituição, foram raros os casos que o jogador substituído cumprimentava o treinador ao sair de campo. Ou descia direto para o vestiário ou ficava emburrado no banco. Sinal de que alguma coisa estava errada, que faltava diálogo, coordenação. Uma equipe só alcança o sucesso se estiver sintonizada, motivada, mirando um objetivo comum. E é papel do técnico comandar esse processo.

Acho que essa substituição deveria ter sido feita há bem mais tempo, mais precisamente quando perdemos a Copa do Brasil. Naquela ocasião, Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo estavam desempregados. Escrevi neste blog comentários ásperos contra a direção colorada que me renderam inclusive algumas inimizades. Não me arrependo, acho realmente que a arrogância atropelou o bom senso. Mas agora não adianta mais, é chorar o leite derramado.

O Inter não será mais campeão brasileiro de 2009, assim como o Grêmio não vai disputar a Libertadores do ano que vem. Mas o colorado estará na Libertadores, porque finalmente terá uma movimentação, uma mexida necessária para crescer e chegar entre os quatro.

Desejo sorte ao Tite na sua vida e carreira, desde que longe do Beira-Rio, e aguardo ansioso o trabalho do Mário Sérgio que de cara já deu uma declaração colorada: "O Inter chegará entre os quatro e pode até ser campeão. Mesmo assim eu saio no final do ano. É o mínimo que eu posso fazer por esse clube que tanto fez por mim." Em uma frase ele já falou mais que o seu antecessor falou em mais de um ano.


Bem-vindo Mário Sérgio!

Falei!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mercedes eterna



É uma lástima que algumas pessoas morram. A Mercedes Sosa sem dúvidas é uma delas. Mas ela está eternizada pela sua história e obra incontestáveis.

Valeu Mercedes!

Falei!

domingo, 4 de outubro de 2009

A passividade dos gaúchos

O Rio Grande do Sul sempre se orgulhou de ser o estado mais politizado do país. Mas o mesmo Rio Grande do Sul comemora uma guerra perdida. Portanto, os gaúchos sempre tiveram posições fortes, mesmo que a lógica nem sempre nos favoreça.

Mas já tem algum tempo que eu tenho ficado de cara com o posicionamento da gauchada. Na real eu tenho percebido um conservadorismo que considero lamentável. As coisas vão mal - e muito mal - e todo mundo parece fazer de conta que não é com a gente.

Hoje, domingo, 4 de outubro de 2009, estive em duas atividades que reuniram muitas pessoas. A primeira delas foi um ato show pelo "FORA YEDA", no parque Marinha. Tinha bastante gente. A maioria, militantes de partidos de esquerda, sindicalistas, parlamentares, movimento estudantil e movimentos sociais. Muito legal, mas vi pouco povo, pouca gente comum interessada na causa. Pior, havia uma tentativa de boicote com carros de som anônimos tocando músicas altas passando toda a hora. Houve tentativa de censura também, com a polícia pressionando a liberdade de opinião. Mas isso não causou revolta, a não ser dos que estavam ali. Duvido que isso vire notícia.

Depois disso fui na peça do Rafinha Bastos no Salão de Atos da UFRGS. Também tinha muita gente. Não sei calcular em qual tinha mais, pois um era num lugar aberto e outro num teatro. Mas parto do pressuposto que havia o mesmo número de pessoas nos dois lugares.

A peça do Rafinha estava lotada de pessoas de todas as idades e estilos (a classe social era bem selecionada, já que o ingresso custava R$ 60). Ele é realmente um baita artista, pois segura um espetáculo de 1h30 sozinho, fazendo todo mundo rir o tempo todo com piadas de humor inteligente sobre todos os assuntos, inclusive a política. Sim, ele também falou de política. Começou dando uma alfinetada daquelas no Sarney. Todo o teatro aplaudiu. Como gaúcho que é, logo ele falou da política local e disse que a "Yeda roubou". O teatro ficou silencioso. Pior, olhei pro lado e vi gente discordando.


Será possível que tem gente que acha que toda essa merda que está aparecendo, que os R$ 44 milhões do Detran, que a casa da Yeda são "coisas do PT"? Será que as pessoas não têm mais a capacidade de se revoltar, de ver o que está acontecendo?

Ando muito decepcionado mesmo, pois cresci me orgulhando de pertencer a um povo que tinha opiniões sobre tudo. Agora o mundo caí sobre nossas cabeças como o teto da Renascer em Cristo e ninguém faz nada. A pesquisa Ibope divulgada nesse fim de semana revela que a governadora Yeda Crusius tem 60% de rejeição. E eu pergunto: só? Com todas essas notícias de roubalheira, corrupção, sujeira e a maior cara de pau da história do Rio Grande do Sul, ainda tem 40% do estado que acha que não é bem assim. 40% é minoria, mas ainda é muita gente.

E no programa Polêmica, da Rádio Gaúcha, sexta-feira, 62% dos ouvintes votaram contra as Olímpiadas de 2016 acontecerem no Rio de Janeiro. As justificativas são as mais absurdas, mas para mim a verdadeira é uma só: recalque. Sim, recalque por não ser aqui, por não ter nenhum gaúcho liderando a conquista ou simplesmente porque é mais uma "coisa do PT". O Lula até chorou pela conquista...

Sei que tô meio aspero, mas é que ando realmente meio frustrado com as posições da gauchada. Tô meio preocupado com o nível de conservadorismo e com essa passividade, que não admite que as coisas não vão bem só para não perder a pose do pioneirismo e da inteligência. Só que nessa, só nós estamos perdendo, pois as coisas não evoluem.

Tá na hora de dar uma boa chacoalhada na consciência da galera.

Falei!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Rio é o Brasil

Prometo deixar minha paixão por esportes e pelo Rio de Janeiro de lado para escrever esse post. Na real eu nem pretendia manifestar minha torcida para que o Rio seja sede das Olimpíadas de 2016, achava que isso era chover no molhado, que todo Brasil estaria mobilizado por isso. Mas me enganei feio. Foi só se aproximar o dia do anúncio do comitê organizador para começarem as manifestações. Grande parte delas contra.

Olha, me desculpem os que divergem, mas é de um raciocínio muito estreito e mesquinho quem é contra. Pior ainda são os argumentos preconceituosos, que tentam falar mais dos problemas do que das virtudes da Cidade Maravilhosa.

Em primeiro lugar é preciso acabar com esse papo de que é o Rio quem disputa. Não é! É o Brasil quem está na luta para atrair o evento esportivo mais importante do mundo, que vai trazer para o nosso país investimentos não só em infraestrutura, mas também em segurança, em desenvolvimento, geração de empregos e muito mais.

Se não bastasse tudo isso, a Copa de 2014 e as Olímpiadas de 2016 serão excelentes oportunidades de o Brasil mostrar para o mundo que é um país capaz de organizar eventos desse porte. Esses dois eventos esportivos terão pouca duração, mas as consequências ficam para sempre, para o Rio e para o Brasil. E tem outra, o Rio é, sempre foi e sempre será a maior vitrine do Brasil lá fora. Então não me venham dizer que tinha que ser em outro lugar.

Estou na torcida e super empolgado com mais essa possibilidade. Acredito no Brasil e torço pelo seu sucesso, pois confio que aquele pensamento terceiro-mundista é coisa do passado, que só resiste na cabeça de alguns que não querem que as coisas andem para frente. Eu quero, por isso quero as Olímpiadas de 2016 no Rio de Janeiro.

Falei!